GABINETE DE CURIOSIDADES Nº1

Os gabinetes de curiosidades podem ser considerados como os precursores dos museus: um acúmulo de peças e curiosidades para tentar entender um pouco mais o mundo. Diante deles, me atravessa uma frase do meu pai: devora-me ou te decifro. Acho que a atitude é por aqui, indiciária, feita de pistas e vestígios. Não para solucionar um crime, pois o que há é invenção. E não é sobre o fim, a obra acabada—se é que há um fim—porque a produção sempre se desdobra, tem consequências. Mas as verdades que o artista atravessou (feliz? tenso? burnout?) rolando sua pedra, moldando a sua pedra, like a rolling stone.

A série Gabinete de Curiosidades é, de certa forma, uma expedição: um olhar sobre a criação artística. Reunir processos e pensamentos que se dispersam e ficam guardados, como sem importância: mas como se chegou ali? Por que ter apenas a ponta, a chegada, quando os rascunhos e modelos testados e refinados e descartados nos ajudam a entender o trajeto? Entender vem do latim intendere: estender/apontar para, estar atento. Gabinete de Curiosidades é uma mostra para abrir e estender um pouco do misterioso processo de criação do artista.

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