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Monthly Archives: June 2009

Na noite de estréia – dia 02/07 – a lenda do soul brasileiro, o grande Carlos Dafé!

a partir das 23hs
Carlos Dafé e Banda;
Banda Partido Leve;
DJs Machintal e Iky Castilho (funk, soul, rare grooves, musica brasileira, e muito mais).

* Lançamento do Livro “Fantasma” – de Francisco Slade
* Exposição do Artista Carlos Bobi
* Venda de livros e discos novos e raridades
* Lazer Tag com Calaboca Lab

Cine Lapa
Av. Mem de Sá, 23 – Lapa – Rio de Janeiro
http://www.matrizonline.com

Saiu no caderno Ilustrada de hoje do jornal Folha de São Paulo essa matéria de SILAS MARTÍ.


Escultura da série “Bichos’, de Lygia Clark

Valores cobrados por herdeiros de Volpi, Lygia Clark e outros dificultam realização de mostras; para parentes, custos ajudam a deter falsificações

Obras de Alfredo Volpi e Lygia Clark vão ter destaque na mostra que o Museum of Fine Arts de Houston planeja abrir em Zurique no fim deste ano, mas nenhuma imagem delas estará no catálogo. A não ser que as famílias dos artistas aceitem receber menos pelas fotos, como vai pedir nesta semana a curadora do museu.
Mari Carmen Ramírez já não pôde publicar imagens de Volpi num catálogo que o museu de Houston publicou em 2007 e agora briga para evitar o mesmo desfecho. “Estamos falando em milhares de dólares, quando o normal é nunca pagar mais de US$ 300 por cada imagem”, afirmou Ramírez, à Folha.
Herdeiros podem cobrar pelas imagens e pela exposição das obras mesmo que as peças tenham sido vendidas a museus ou a colecionadores.
Volpi também ficou de fora do catálogo de uma grande individual dedicada à sua obra em cartaz até o fim desta semana no Instituto Moreira Salles do Rio, porque não foi pago o valor pedido pelo advogado da família, que era de R$ 150 mil.
Organizadores da mostra ofereceram R$ 35 mil à família para fazer a exposição e publicar um catálogo, mas não houve acordo. Agora, a filha de Volpi e seu advogado ameaçam processar o IMS por terem feito a mostra sem autorização.
“As famílias estão cada vez mais ávidas, eu não sei aonde vai parar isso”, disse o crítico Ronaldo Brito, que já teve cópias apreendidas de seu livro “Neoconcretismo”, com uma obra de Lygia Clark na capa -segundo parentes da artista, a editora Cosac Naify não pagou para reproduzir imagens.
No fim do ano passado, a galerista Raquel Arnaud sofreu para organizar uma exposição de Volpi no Instituto de Arte Contemporânea, em São Paulo, mas acabou cedendo e pagou R$ 50 mil -valor que conseguiu baixar dos R$ 100 mil originais- pelas imagens. “A gente brigou muito por causa disso”, lembra Arnaud.
É um problema que se arrasta. A curadora independente Denise Mattar diz que passou cinco anos de sua vida indo a fóruns porque foi processada pela família de Di Cavalcanti quando fez duas mostras no Rio, nos anos 90.
“A coisa é uma bola de neve”, diz Mattar. “A família acaba contratando um advogado, que também quer dinheiro. Vai virando um círculo complexo.”

Zelo pela imagem
De um lado, curadores, instituições e críticos de arte reclamam que a cobrança das famílias prejudica a realização de exposições, arriscando jogar no ostracismo a obra de um artista. Do outro, parentes e advogados dizem que é preciso zelar pela imagem dos que já morreram, e que isso tem um preço.
“Tem que ter um limite para isso, porque limita o acesso à obra”, diz Vanda Klabin, curadora da mostra de Volpi agora em cartaz no IMS do Rio. “É preciso deixar uma margem em que você possa trabalhar.”
Ronaldo Brito fala em tornar “invisível” a história da arte brasileira. “A difusão da obra de arte brasileira vai encontrando obstáculos, e isso influi no preço das próprias obras”, diz o crítico Paulo Sergio Duarte. “Até do ponto de vista da lógica do capital, a coisa é torta.”

Incômodo
“Se eu estivesse advogando para um artista menor, talvez nossa política fosse diferente”, diz Salvador Ceglia Neto, advogado da família de Volpi, à Folha. “Volpi é Volpi, a força da obra dele é maior do que isso.”
Ele descarta que os valores cobrados possam jogar o artista no anonimato. Diz que as críticas partem de colecionadores, que querem suas obras divulgadas, e de críticos, que querem mais exposições sobre as quais escrever. Também diz que esse é o custo para barrar a circulação de obras falsas de Volpi.
“Com essa cobrança acabamos forçando a formalização das transações”, diz Ceglia Neto. “Os proprietários das obras querem ficar no anonimato e essa política incomoda.”
“A gente está num mercado capitalista”, diz Patrícia Volpi, neta do artista. “O argumento é sempre que estão fazendo uma homenagem, mas ninguém diz estar atrelando a marca a outra marca.” No caso, a primeira marca é Volpi, e a segunda, o IMS, ligado ao Unibanco.
“Não houve exposição que deixou de ser feita por causa disso”, diz Álvaro Clark, filho de Lygia. “Eu não vejo dificuldade. É que antigamente as coisas eram mais liberais.”
Ele diz que sua Associação Cultural Mundo de Lygia Clark cobra em média 165 por imagem de obra. Mas é preciso que o trabalho em questão tenha um certificado de autenticidade emitido por eles. “Não cobramos pela certificação. Só pedimos que a pessoa contrate um fotógrafo para fazer a imagem da obra e um museólogo para fornecer um condition report [laudo de condições]“, diz.
Clark diz que hoje há cerca de 580 obras certificadas e que gasta recursos dos direitos autorais para barrar falsificações. “É um processo claro e limpo. Quero limpar o mercado.”

Oiticicas não cobram por imagens
Na contramão de famílias que cobram para liberar imagens de obras, os Oiticica têm uma política mais liberal. Cobram pelo empréstimo das obras de Hélio Oiticica, morto em 1980, mas liberam sem encargos imagens e documentos de seus trabalhos.
“Não vou cobrar dinheiro para exibir imagens do Hélio, mesmo porque você enterra o artista quando faz isso”, diz César Oiticica, irmão de Hélio. Ele e Cláudio, outro irmão do artista, fundaram em 1981 o Projeto Hélio Oiticica, que cuida de seu espólio.
“Esse projeto se financia emprestando obras do Hélio”, diz César Oiticica. De caráter mais conceitual, quase todas as obras do artista, cerca de 95%, não foram vendidas e ficaram nas mãos de seus parentes.

Feeling para cobrar
Oiticica diz, no entanto, que é preciso saber cobrar o valor adequado para o empréstimo das obras. “A gente sabe que existe um valor de mercado”, diz. “A exposição é ótima para o museu, para o curador, mas é um valor que precisa ter o feeling para cobrar. Se você cobrar muito caro, ninguém compra.”
Oiticica critica quem cobra pela divulgação de imagens. “Não é uma boa política, porque a gente sabe que isso é muito ruim para a obra do artista”, diz. “A maior sacanagem que você pode fazer com um artista é dar um jeito de não expor a obra dele.”

De vez em quando recebo imagens que amigos fizeram mundo afora pensando no meu trabalho. Essa foto aí o artista plástico João Modé tirou entre La Paz e Lima em 2005 e me mandou hoje de manhã. Aqui no bRog tem também uma do Andre Weller e outras que eu vou procurar logo mais.

Em 2002 eu escrevi esse micro texto abaixo para o folheto da exposição que João apresentou no AGORA, Lapa, Rio de Janeiro.

A exposição chama-se Estímulo Puro e os trabalhos só estarão prontos poucos instantes antes da inauguração. Não há ateliê nem desenho. Não há projeto, apenas um roteiro com imagens. Arte só idéia e ação. Arte sem matéria, sem pista. Um avião na contramão. João solta o balão para o alto. Na galeria, colar e cortinas. Perfume com madeira. Piso fora do nível. Plano fora do prumo. O cisne é o lago. O lago é o mar. O mar é o sal. Diariamente, precariedade e delicadeza irão transformar a exposição. João Modé pela terceira vez tentará construir a torre de madeira em direção ao céu. Pés enterrados no chão. Travesseiro de manteiga. Cama de cabelos. Pedaços de unhas enchem o pequeno pote até a boca, até o topo. A linha atravessa o espaço. A flor lentamente devora o cavalo branco. João Modé acorda cedo todo dia. Raiz, tronco e membros. Som sem som.


foto da exposição no AGORA por Wilton Montenegro

No momento João está apresentando a exposição
Invisíveis na Fundação Eva Klabin dentro do Projeto Respiração. A exposição fica em cartaz até o dia 25 de julho e aqui tem o texto do curador Marcio Doctors. Modé é o décimo convidado do Projeto Respiração que promove intervenções contemporâneas no acervo clássico da Fundação.

Texto que o crítico de arte e doutor-professor Felipe Scovino escreveu lá para o número 1 do ATUAL – o último jornal da terra.

As palavra e as coiza – parte I – paranóia delirante
Há algum tempo virou lugar comum nos ensaios sobre artes visuais identificar certas poéticas como uma “simbiose perfeita entre arte e vida”. Durante alguns anos, acreditei e reproduzi esse discurso. Ele cabia perfeitamente dentro das propostas sensoriais, relacionais, ativadoras de potência e participativas de Lygia Clark, Pape e Oiticica. Aproximar uma proposta fenomenológica e sensível como os objetos sensoriais de Clark (formados por elementos cotidianos e orgânicos como água, plástico, conchas, pedras, etc), por exemplo, do discurso da arte era a proposta mais radical, concisa e perfeita encontrada pela história da arte. Não quero afirmar que as obras dos artistas citados não teriam essa ligação com a “vida”. A interrogação que se faz é a seguinte: qual objeto ou manifestação de arte não teria essa ligação com o orgânico, sensível, afinal, com a vida?
Partindo desse princípio, que tipo de vida é a sua, meu caro? Ou que tipo de vida você quer ver? A cheia de florzinhas, bucólica, colorida e ao mesmo tempo utópica? Ou a real, aquela cheia de problemas, paranoias, suja, gradeada, com o som alto das buzinas, luzes desfocadas, mulher gritando, filho berrando, marido bêbado e contas a pagar? Alerto: não sou beatnik nem muito menos punk ou mesmo fã dos filmes do Woody Allen ou Jim Jarmusch. Só fiquei mais atento ao trabalho do Raul. Conhece a obra do Raul Mourão? Não!? Por onde você andou entre 1988 e 2009? Pois é, eu também cheguei meio atrasado mas topei com uma grade do cara há alguns anos. Sua série de trabalhos que tem as grades como suporte e tema dialogam intensamente com o mobiliário urbano brasileiro surgido no final década de 1980 e consequentemente com os sintomas de medo e violência que assolam a população. Estes trabalhos parecem nos perguntar o que fizemos com o nosso espaço urbano e o que nos tornamos. Margeando o comentário de que a arte cada vez mais se infiltra na vida e vice-versa, ampliando e tomando novas direções apontadas pelo neoconcretismo, sua obra faz parte de um conjunto de trabalhos que aponta uma desconfiança em relação ao outro que tem sido cada vez mais freqüente nos dias atuais. Não estamos mais falando de estranhamento ou diferença, mas pânico. Atingimos um grau mais elevado nessa (negativa de uma) relação humana. Raul, numa conversa, comentou que não procura mostrar exclusivamente o lado escroto da cidade em sua obra. O fato é que vivemos num mundo que se torna cada vez mais violento, individualista, insensível, cruel e desumano. Não sabemos nem queremos nos relacionar com o outro. Escroto não é “um” lado da cidade, mas o mundo em que vivemos e construímos. Cercados de orkuts, blogs, facebooks, fotologs e messengers, vivemos num mundo saturado de imagens e cada vez mais solitário. O sexo tende a se tornar virtual e até o boneco de plástico para trepar virou peça de museu. Aquilo que era o cúmulo da bizarrice (para alguns) se converteu em saciedade de desejo via câmera de vídeo digital, teclado e fibra óptica. São tantas as informações, que cada vez ficamos mais perdidos e burros. Nesse contra-senso em que as trocas intelectuais se constituíram, penso que não é mais “função” da arte (se acreditarmos que ela tem função) alertar sobre esse aspecto da contemporaneidade, mas efetivamente tornar-se uma mediadora de experiências ou acentuar a sua diferença num ambiente mergulhado em publicidade, MTV e imagens do que deveríamos ser para tornarmo-nos felizes, mais bonitos ou bem-sucedidos. O humor na obra de Mourão vem corroer esse conceito de ideias disformes, variando do sarcástico (7 artistas, 1995) ao mórbido (Mata-mata, 2003), passando pelo bizarro (Surdo-mudo, 1999), o kitsch (Luladegeladeira, 2006), o agressivo (Foda-se, 2002) e o inesperado (Buraco do Vieira, 2001). O humor portanto também passa pela biografia de cada trabalho, ou seja, as memórias que ele guarda ou como ele foi gerado. Nessa simbiose de humor e caleidoscópio de violência e poesia, a palavra não funciona apenas como título descritivo da obra em Mourão, mas também como poesia visual e incorporação fenomenológica de ideias. A palavra em Mourão não é descartável nem meio para se conhecer o mundo em poucos segundos mas um dado indispensável para mergulhar num intervalo de tempo variável que permite ao seu leitor/espectador contemplar uma dimensão onde ver o mundo é fazer o mundo e não simplesmente apropriar-se daquilo que se vê. A palavra de Mourão “jorra” redes de relações com as coisas, estabelece um estranho sistema de trocas, de fusões, irrelevantes, quiçá, para a experiência ordinária, mas que para a experiência artística constituem, de uma parte, a matriz dos problemas e das soluções e, de outra, o modo da participação e do êxtase, com o mundo.

Felipe Scovino é crítico de arte, flamenguista, gosta de noise e acabou de conhecer o fígado acebolado com jiló.


foto: Bernardo Mortimer, Curitiba, Teatro Guaíra, 15 de maio de 2009

Saiu na ilustrada de hoje essa críttica ao show em SP. No próximo fim de semana a turnê Brasil Afora chega ao Canecão. Lá no novo site deles tem uma promoção de convites para o show de sexta. Segue o texto do MARCO AURÉLIO CANÔNICO:

Pegue músicos talentosos, experientes e com muita vontade de tocar, some a um vasto repertório de qualidade e, pronto, tem-se o atual show dos Paralamas do Sucesso -um espetáculo, na melhor acepção da palavra. Montada para divulgar o último disco da banda, “Brasil Afora” (lançado em fevereiro), a turnê, que passou por São Paulo no último fim de semana e segue para o Rio na sexta, é a melhor do trio nos últimos anos, em parte graças ao álbum que lhe serve de base.
As cinco canções de “Brasil Afora” que aparecem entre as 27 do set list são as melhores que o (bom) disco tem -“Sem Mais Adeus”, “Meu Sonho”, “A Lhe Esperar”, “Mormaço” e “Quanto ao Tempo”.
Com sonoridades variadas, elas se mesclam com perfeição ao resto do repertório de clássicos dos Paralamas, que passa por rock, reggae, ska, baladas, música nordestina e latina. Bem estruturado, o show já começa em ritmo acelerado, com uma sequência que inclui “Dos Margaritas”, “Pólvora”, “O Beco” e “Ela Disse Adeus”.
Há espaço para as indefectíveis baladas (“Cuide Bem do seu Amor”, “Romance Ideal”) e para uma sessão semiacústica (com o belo resgate de “O Rio Severino”, mais “Caleidoscópio” e “Uns Dias”), além de duas covers (“O Vencedor”, do Los Hermanos, e “Sonífera Ilha”, dos Titãs).
Mas, é claro, nada disso funcionaria se a banda não estivesse afiadíssima, como está. Barone e Bi Ribeiro são dois monstros em seus instrumentos (bateria e baixo) e Herbert Vianna, mesmo com os anos e com o acidente, não perdeu nada de sua gana por tocar guitarra, solando de modo notável. A afinidade entre eles e seus músicos de apoio -João Fera (teclados e violão), Bidu Cordeiro (trombone) e Monteiro Jr. (sax)- faz com que as canções se encaixem em sincronia perfeita e dá espaço para todos.

Amarrando toda essa parte musical estão os ótimos cenários de Zé Carratu -recortes brilhantes, coloridos, animados como o show- e luz profissional de Marcos Olívio. Em suma, um dos shows do ano, que merece ser visto.

Peguei esse post lá no Pop Up, blog do jornalista pernambucano Bruno Nogueira.

pasquim

A simples idéia de um bate papo entre Ziraldo e Chico Buarque já parece ser algo inspirador. Pensar, então, que ele e toda a toda turma do Pasquim reuniu, sob organização de Tarik de Souza, algumas das principais conversas que eles tiveram não apenas com o carioca, mas também figuras como Raul Seixas, Luiz Gonzaga e Waldick Soriano faz de “O Som do Pasquim” um adição certa a qualquer biblioteca de música que se preze. Daqueles para se ter mesmo quando não vai ser lida uma página de todo o livro.

Quando foi lançado originalmente em 1976, a coleção de entrevistas ganhava a metáfora de um álbum de fotos de verdades sobre a Música Popular Brasileira. Eram declarações de um Chico Buarque que dizia não saber tocar e um Caetano Veloso que afirmava não ter musicalidade. E, entre isso, o desgosto mutuo entre gerações como a de Agnaldo Timóteo, que descascava tanto o sambista quanto o tropicalista com adjetivos que a gente não guarda nem para aquele motorista que corre sobre uma poça d’água ao nosso lado em dia de chuva.

Mas seu relançamento, agora pela editora Ediouro / Desiderata, ganha um novo significado. Em tempos de fim de diploma de jornalismo, armado com a nostalgia de uma publicação feita com bom humor e, ainda assim, ultrapassava a tiragem de 250 mil cópias, o “Som do Pasquim” escancara a falência do jornalismo musical brasileiro. Ao mesmo tempo que gera tanto facínio ler as palavras de um Waldick Soriano afirmar que hippie é marginal e maconheiro safado, por isso devia morrer, vem também um forte sentimento de desilusão. Esse nível de intimidade entre entrevistador e entrevistado nunca mais vai voltar a acontecer.

Não vão acontecer nem mesmo com a geração mais nova. Seja a de jornalistas, que se acostumou a não procurar mais o entrevistado, mas esperar que o departamento de divulgação do próprio marque uma entrevista, seja dos próprios artistas, que travestidos com o manto de profissionalismo, agora só falam frases de efeito pré-formatado e sem conteúdo. Comparar as declarações de Caetano em 1971 – “Não sou bom músico, sou só um bom sujeito” – com as que foram replicadas no atual lançamento de seu Zii e Zie é perceber que aquele artista não existe mais. Virou uma espécie de robô, tal qual aqueles que fazem as mesmas perguntas sem significado.

Talvez essa reedição de “O Som do Pasquim” sirva também de metáfora para o espelho de Lewis Carrol. E que o robô o atravesse em busca de um coração de verdade nesse reino do antigamente. Se não chegar a tanto, poderia estar na bibliografia para salvar o curso de jornalismo. Vale ouro como técnica de entrevista. Mas uma que é sem regras. Começa sem lead, ultrapassa as 10 páginas de conversa e encerra com leitor fiel e sensação de dever cumprido. E quando o entrevistado ainda diz que viu um disco voador, ai sim que você publica. Afinal, sem isso, sobre a provocação: se Raul Seixas aparecesse hoje em uma redação, falando a mesma coisa, sem assessoria de imprensa e sem entrevista marcada, teria virado materia de jornal?

As entrevistas são acompanhadas sempre com as ótimas ilustrações do cartunista e compositor Antonio Nássara (que também abrem esse post), citado indiretamente no livro, sempre que falam de sua marchinha mais famosa, o “Alá-lá-ô!”.

Escultura apresentada na exposição individual Portátil – 98/02, Gabinete de Arte Raquel Arnaud em São Paulo, 2002.

Foto: Vicente de Mello.

Novo blog do LH sobre música, mas uma dica do mestre Marcelo Pereira.

Quem assistiu ao filme “Sangue Negro” (There Will Be Blood) talvez se recorde da cena em que o protagonista está realizando a sua primeira prospecção de petróleo em um poço no meio do deserto, apenas com baldes, cordas e outros instrumentos bastante rudimentares. A trilha que se passa nesta cena é chamada “Convergence” e foi composta através da utilização de diversos instrumentos percussivos, de madeira e de pele. A música se inicia com um tambor simulando uma batida de coração e evolui com a entrada gradual de outros instrumentos defasados, que apenas no final convergem para uma única e compacta marcação.


Como em um rito sacrificial, os tambores em defasagem seguem em direção a uma só pulsação. Isolados e enfraquecidos, caminham para a realização de um sacrifício sagrado final, necessário para prospectar a primeira gota de sangue da terra-mãe. No filme, este sangue negro alimenta o desejo pela busca de mais sacrifícios por todo o seu enredo, e o bode expiatório exigido pelos deuses do deserto é o melhor amigo do protagonista, que morre dentro do poço.


Embora este seja um bom exemplo de como a música contemporânea erudita está massivamente presente no cinema atual, o compositor de “Convergence” não é o autor típico. Arranjador da BBC que diz sofrer grande influência do compositor polonês Krzysztof Penderecki, Jonny Greenwood é também guitarrista da banda Radiohead.

Entretanto, há muito tempo que os compositores têm buscado o retorno ao ruído e à evidência do ritmo. Esta busca vem redimir a repulsa que o sistema tonal teve pelo ruído e pela percussão que não seja afinada, por toda a história da música ocidental desde o cantochão e seu canto sem pulso, que inaugurou a nossa tradição clássica até o período romântico.

A música primitiva e modal, marcada, pulsante e rítmica, deu lugar no ocidente à música das alturas, à melodia e harmonia como base primordial. Mas esta música modal e “primitiva” tinha no ritmo e na pulsação e, consequentemente no ruído, o alimento para o desenvolvimento das alturas em outras dimensões de escuta. No modernismo, o recalque deste ritmo gerou a Sagração da Primavera, de Stravinsky, um balé profano de 1913 que é considerado o marco da incorporação do ritmo na música moderna. Nesta obra, particularmente na “Dança do Sacrifício”, o ritmo conduz a peça, deixando a harmonia em segundo plano. Depois, é o ruído que entra definitivamente na nossa tradição musical com o futurismo de Edgar Varèse e seu entusiasmo na ciência e nos avanços científicos com a obra Hyperprism, que usa sirenes, metais, e vários instrumentos percussivos.

Mas este retorno ao ritmo vai ter nas obras de Steve Reich, compositor norte-americano de NY, uma importância muito mais primordial. A peça Drumming, realizada somente com instrumentos de percussão, realiza o reinado do tempo, a melodia do ritmo e a harmonia do ruído. Nos vídeos abaixo Drumming é executada apenas com tambores. Estes estão afinados, porém, como em um concerto de Bach não é o ritmo que prepondera, em Drumming não são as notas dos tambores que imperam. São as diversas texturas criadas pelas fases e defasagens entre as batidas que chamam nossa atenção. Ali os instrumentos melódicos e harmônicos é que são sacrificados para que possamos, como em um ritual sagrado de uma nova dimensão musical, prospectar outra esfera sonora.


segunda parte

Post que eu acabei de ler lá no Trabalho Sujo, blog obrigatório do jornalista-dj


De verde, jovens protestam nas ruas do Irã (foto: AP)

Escrevi dois textos pra matéria de capa do Link de hoje:

***

Da rua para a rede, da rede para a rua

Protestos no Twitter e em Teerã mostram a força da mobilização online e reforçam a importância política dos meios digitais

Começou, veja só, no Twitter. Após o resultado da eleição para a presidência do Irã ter sido anunciado e sua veracidade ser posta em xeque por entidades internacionais, o país passou a restringir o acesso de correspondentes estrangeiros em suas fronteiras e a cortar as comunicações de sua população com o resto do mundo. O interesse mundial se agravou de tal forma que fez aparecer, no domingo passado, uma nova hashtag na rede de microposts: #IranElections.

Ela surgiu acompanhada de outra, chamada #cnnfail, que ironizava o fato de a emissora de notícias americana CNN não estar cobrindo a situação como deveria. Na segunda-feira, a CNN – motivada ou não pelo Twitter, a emissora não comentou – passou a dar mais espaço para o tema em sua programação. E os usuários do Twitter passaram a mudar os fusos horários de seus perfis para o de Teerã, para confundir o governo de lá, ao mesmo tempo em que pintavam suas fotos de verde, a cor do país, em solidariedade à causa iraniana.

Isso foi só o início de uma reação em cadeia que transformou não apenas o Twitter, mas as principais comunidades da web 2.0 (Facebook, YouTube) em canais de comunicação entre o Irã e o mundo. Logo, iranianos estavam nas ruas, protestando contra o presidente reeleito Mahmoud Ahmadinejad ao mesmo tempo em que filmavam, fotografavam e reportavam tudo para o resto do mundo via web.

Não é a primeira vez que os meios digitais são usados para difundir causas que não têm destaque na mídia tradicional – pelo contrário. Remonta ao mexicano Subcomandante Marcos, passa pela “Batalha de Seattle” em 1999, pelos protestos contra a invasão do Iraque pelo governo Bush no mundo inteiro e culmina na surpreendente campanha online que levou Barack Obama à presidência dos EUA. E quando até parlamentares brasileiros aderem ao Twitter para estreitar suas relações com seu eleitorado, uma coisa é certa: a internet está trazendo a política de volta para as ruas.

***

Entrevista: John H.D. Downing

Há trinta anos pesquisando o impacto da mídia e da comunicação na política, o inglês John H. D. Downing é autor de Mídia Radical (Ed. Senac), em que traça diferentes movimentos políticos pelo mundo que começaram como pequenas manifestações regionais e localizadas para, a longo prazo, ganhar proporções globais – e os exemplos vão do movimento ambientalista à Anistia Internacional e ao movimento europeu pelas rádios livres. Diretor do Centro de Pesquisa de Mídia Global na SIUC, nos EUA, ele tem acompanhado a evolução de causas políticas com a internet com atenção e falou com o Link por telefone, de Paris.

Qual a principal diferença entre o Irã em 1979 e o que está acontecendo hoje?
Em termos de tecnologia, houve algo mais ou menos parecido em 1979 com os gravadores portáteis, que eram usados para gravar o que estava acontecendo no país e mostrar para o resto do mundo.

Mas quando o ‘gravador’ de hoje em dia – o celular – consegue filmar e tirar fotos…
Tudo muda. A comunicação através do Facebook, do Twitter e outras redes sociais é imediata, ao contrário dos gravadores que tinham de ser usados secretamente. O outro uso da internet além do celular acontece em lan-houses, que dão um fator social muito mais dinâmico ao movimento. O lugar onde as pessoas estão postando estas informações é um ambiente coletivo e público, elas não estão isoladas em suas casas. E ainda há o fato de que grande parte da população das grandes cidades no Irã hoje é formada por jovens, gente com menos de 25 anos. Isso tem um impacto tremendo neste aspecto urgente que estamos vendo. Quando estas três coisas acontecem, fica ainda mais evidente a importância da internet hoje.

Seria possível algo desta natureza acontecer na primeira eleição de Bush, no ano 2000?
Creio que não. Primeiro, há uma questão cultural, que faz que as classes que atingiram certo nível econômico nos EUA não tenham o hábito de protestar por nada. Mas isso é algo que tem mudado: nos últimos 30 anos, uma grande parte da população do país pode estudar até a universidade, muitas mulheres estão entrando em áreas que eram dominadas apenas por homens e acredito que isso vá mudar a dinâmica desta cultura.

É possível pensar que o processo político pode ultrapassar o conceito de representação parlamentar? As pessoas podem substituir o congresso, quando todos estiverem online?
Não gosto desta ideia, pois existe uma grande possibilidade deste resultado ser manipulado. Na minha opinião, o exemplo mais recente disso que vimos foi a manipulação da eleição californiana sobre a questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo. E isso foi apenas um referendo, sobre um tema. Imagine envolvendo várias questões.

A internet está despertando a consciência política das pessoas?
Sim, e em muitos níveis. Um deles diz respeito àquele tipo de situação que já ouvimos falar, em que duas pessoas podem jogar um mesmo jogo ou frequentar uma comunidade online, em partes diferentes do mundo, com idades diferentes e mesmo assim conseguem manter um diálogo – que pode ou não continuar fora do jogo. Isso é um nível. Mas quando entram em pauta essas redes sociais, estamos falando de algo que é complementar à interação pessoal, cara a cara. E a internet torna-se cada vez mais complementar às nossas vidas.

Mais uma que eu peguei lá no Artesquema da Daniela labra.

fac fundación de arte contemporáneo

residencias de artistas

Se convoca a artistas visuales argentinos y brasileros que trabajen en cualquier lenguaje a presentar proyectos para realizar una residencia de dos meses y una exposición en Montevideo, Uruguay, en la Fundación de Arte Contemporáneo fac
Se seleccionará un artista. El mismo contará con alojamiento y un taller durante dos meses en el fac.
Se cubrirán gastos de pasaje, alimentación, seguro médico y necesidades puntuales para la exibición de la obra generada en tal instancia.

Apertura convocatoria_1 de julio de 2009
Cierre convocatoria_27 de julio de 2009
Periodo de residencia_setiembre-octubre de 2009

formulario de aplicación_formulário de aplicação

juan carlos gómez 1544 / p 2, 3 y 4 / cp 11000 / montevideo _ uruguay / + 5982 9166417

Exposição de Giancarlo Neri e Marcos Chaves na Galeria Progetti só vai até amanhã.

Travessa do Comércio 22 (próximo ao Arco dos Teles)
Rio de Janeiro, Brazil
Telefone: 55 21 22219893
E-mail: info@progettirio.com

17 junho, quarta às 19h (entrada franca)
Andarilho de Cao Guimarães
seguido de conversa entre Cao Guimarães e Ligia Saramago

24 junho, quarta às 19h (entrada franca)
Mutum de Sandra Kogut
seguido de conversa entre Sandra Kogut e Otavio Leonídio

local: Instituto Moreira Salles – Rua Marquês de São Vicente, 476 Gávea – Rio de Janeiro
realização: revista Noz e CAU/PUC-Rio
informações: www.revistanoz.com/cinenoz

A artista plástica carioca Tatiana Grinberg vem desenvolvendo essa série de trabalhos desde muito tempo atrás. As fotos abaixo são do espetáculo Falam as partes do todo? de 2003, com a cia Dani Lima. Vou pegar mais informações com Tatiana e colocarei aqui.




Essa imagem ai embaixo é da Miranda July de 2009.

E essa outra é de Boryana Rossa and Ultrafuturo, SZ-ZS Performance (2005). Fotografia de Katia Damianova, que eu achei no site da Frieze.

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Em 1995 realizei o vídeo 7 artistas, onde pendurei, usando cintos de alpinismo, os artistas André Costa, Barrão, Carlos Bevilacqua, Eduardo Coimbra, Marcia Thompson, Marcos Chaves e Ricardo Basbaum nas paredes da galeria do Espaço Cultural Sergio Porto no Rio de Janeiro.


Em 1999 Maurizio Cattelan pendurou seu galerista nas paredes da Galleria Massimo De Carlo em Milão usando silver tape e chamou essa obra de The Perfect Day. Massimo De Carlo é um dos grandes galeristas da cena italiana e aqui tem uma entrevista de junho de 2007.

O vídeo 7 artistas eu já coloquei aqui no bRog tempos atras mas não custa nada colocar novamente…

PS:
- Cópia ou plágio? é o nome metido a engraçado de uma seção bem humorada aqui do bRog. Não é espaço de denúncia nem paranóia nem recalque.
- Acho que vou mudar o nome da seção para Influenza? (sugestão do velho amigo Jeronymo Machado)

O novo site do Canal 100 está no ar e esse texto do Nelson Rodrigues e o filme do jogo despedida do goleiro Gilmar aí embaixo eu peguei

Quinta feira, 12 de Junho de 1969, o goleiro bi-campeão do mundo Gilmar se despedia da seleção em amistoso contra a Inglaterra num Maracanã abarrotado de gente. Gilmar foi goleiro numa época diferente de hoje, em que os goleiros são as grandes estrelas; Julio Cesar, Bruno, Rogério Ceni, etc. Santos e Seleção eram times que o ataque não dava chance para goleiro virar celebridade. Na época dele os melhores eram: Yashin (Russia), Mazurkievsky (Uruguai), Banks (Inglaterra) enfim, goleiros que brilhavam contra o sempre poderoso ataque brasileiro. Gilmar foi titular absoluto nas duas copas 58 e 62, jogou 100 vezes pela seleção e na centésima fez sua despedida, entrou mudo e saiu calado…

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Crônica de Nelson Rodrigues sobre a partida: À SOMBRA DOS CRIOULÕES EM FLOR

“Se vocês querem conhecer um povo, examinem o seu comportamento na vitória e na derrota. Há poucos dias, o Brasil derrotou a Inglaterra no Estádio Mario Filho. Conviria comparar os dois comportamentos: o do Brasil vencedor e o da Inglaterra vencida…A Inglaterra é campeã do mundo e perdeu. Bastaram dois minutos do verdadeiro futebol brasileiro. Em 120 segundos, liquidamos o inimigo. Vejam vocês: – A Inglaterra fazia pose de melhor futebol do mundo. Os nossos jornais ou afirmavam ou, na pior das hipóteses, imaginavam que o futebol inglês era sim, o melhor do mundo. Por um funesto lapso, o brasileiro já nao se lembrava de que somos os bicampeões… Dirão vocês que, nas arquibancadas e gerais, o povo quis ajudar o escrete. O diabo é que o povo vaia sem querer, vaia automáticamente. Sim, o povo morreria de tédio e frustração se não pudesse vaiar qualquer coisa, inclusive o minuto de silêncio…Mas eu falo dos que, nas perpétuas, tribunas, cativas, torciam com o mais límpido, translúcido despudor, pelo inimigo. Falei com vários e os sujeitos estrebucharam de devoção: – Como jogam! como jogam!. Meu Deus é um futebolzinho bem aplicado e laborioso o dos ingleses, de uma disciplina tática feroz e uma base física medonha. SÓ…Terminou o primeiro tempo com o marcador de 1×0 para Inglaterra… A maioria dos locutores, principalmente os paulistas, continuava exigir a retirada de Tostão. E, no momento em que mais se exasperavam contra o maravilhoso jogador , Tostão é derrubado, deita-se na grama e faz o gol! Foi um assombro. Em pé, Tostão já é pequeno, pequeno e cabeçudo como um anão de Velazques. Imaginem agora deitado. Os ingleses ficaram indignados e explico: – um gol como o de Tostão desafia toda uma complexa e astuta experiência imperial! Um minuto depois, Tostão dá tres ou quatro cortes luminosíssimos e entrega a Jairzinho. Este põe lá dentro. Naquele momento ruía toda a pose inglesa. Era a vitória e pergunto: – como reagimos diante da vitória? Claro que o homem da arquibancada subiu pelas paredes como uma lagartixa profissional!. Mas pergunto: – e os outros? A imprensa, o que fez a imprensa? E o rádio? E a Tv? Deviam estar virando cambalhotas elásticas, acrobáticas. A Inglaterra pode não ter futebol, mas tem o título. É campeã do mundo. Portanto, vencemos o título. O grandes jornais não concederam ao feito brasileiro uma manchete de primeira página…Em São Paulo as Folhas acharam os ingleses “os melhores”. No Rio a mesma coisa. No subdesenvolvido, a imparcialidade não é uma posição crítica, mas uma sofisticação insuportável. Fingindo-se de justa, quase toda a crônica falada e escrita falsificou o jogo, isto é, descreveu um jogo que não houve.

Vejam agora o comportamento dos ingleses. Ninguém faz um império sem um implacável cinismo. E os nossos adversários portaram-se com um admirável descaro. A Inglaterra foi um Bonsucesso. Dirão que estou fazendo um exagero caricatural. Mas, se o Bonsucesso tivesse assassinado a pauladas Maria Stuart, se jogasse a sombra de lord Nelson, lady Hamilton e Dunquerque, e se morasse no palácio de Buckingham – o Bonsucesso faria mais que os ingleses. Batidos em dois minutos, submetidos a um olé inédito e ignominioso, faltou aos nossos adversários a nobilíssima humildade da autocrítica. O técnico e os jogadores trataram a derrota como se vitória fosse; esvaziaram a humilhação de todo o dramatismo. Os brasileiros não são de nada. Tostão fez aquele gol espantoso. Deitado, enfiou a bola nas redes. Diante de tamanho feito os ingleses deviam admitir de vista baixa:- ” Aprendemos mais esta”. Nada disso e pelo contrário: acharam absurdo, indesculpável, que um jogador deitado fizesse um gol.

Com um cinismo de grande povo, o inglês inverte magicamente tudo em seu favor. Ao passo que o brasileiro, subdesenvolvido, inverte tudo em seu prejuízo…

Felizmente houve o “OLÉ! OLÉ! OLÉ!”. Saldanha mandava parar. Não queria que o inimigo crescesse na humilhação. Mas a loucura instalara-se no Estádio Mario Filho. Eram 80, 100 mil pessoas ébrias gritando olé. E súbito, da crudelíssima exibição, Gerson estica uma bola comprida para Pelé. O crioulão dispara e quase, quase entra com bola e tudo. Depois do jogo, a multidão saiu em plena embriaguez. Muitos dias já se passaram. E ainda sentimos a ressaca trinufal do olé.

Cópia ou plágio? era o nome metido a engraçado de uma coluna para uma revista na década de 90 que nunca foi publicada. A idéia era reunir sempre 2 obras muito semelhantes, destrinchar as diferenças e semelhanças e eventualmente bater um papo com os autores. Não acredito em plágio e cópia em trabalhos de arte, quando um aparece o outro desaparece, ou seja, ou é plágio/cópia ou é arte. Há muita coincidência, homenagens, referências, influências e picaretagem na praça. O desafio é saber identificar o que é o que.

Essa dupla de imagens eu já achei pronta lá no Artesquema, excelente blog da crítica de arte e curadora Daniela Labra. Artesquema é um dos primeiros blogs de arte que eu conheci e está no ar desde junho de 2004.


Antonio Manuel. ‘Fantasma’. Peças de carvão, fios, foto, lanternas. 1995


Cornelia Parker. ‘The Heart of Darkness’. Peças de carvão, fios. 2004

Semanalmente vou colocar uma nova dupla de imagens aqui no bRog. Estou procurando um nome melhor para a coluna. Aceito sugestões.

No primeiro post Cópia ou plágio? a dupla era José Damasceno e Andre Komatsu, depois teve o zero dollar do Cildo e Lucia Koch com Nicollás Robbio.

sinopse

Na madrugada do dia 12 de Fevereiro de 1994 os italianos Marco Neri e Paolo Malagucci invadem o Museu Nacional de Oslo e roubam o quadro O Grito, obra mundialmente conhecida de autoria do pintor Edvard Munch. Nessa mesma manhã está acontecendo a abertura da 25 edição dos Jogos Olimpicos de Inverno. O fabuloso roubo ganha imediato destaque na mídia internacional e acaba abafando a cerimonia de abertura dos jogos.

Enquanto a polícia investiga o roubo a dupla de ladrões cruza fronteiras até encontrar o receptador da obra na cidade de Bern na Suiça. Como acontece sempre após cada roubo a dupla parte de férias. Dessa vez Marco seguirá em direção ao Brasil e Paolo rumo ao México.

Em sua primeira visita ao Rio de Janeiro o italiano Marco Neri se encanta pela paisagem e personagens da cidade. É uma paixão arrebatadora e Marco passa a frequentar a cidade regularmente. Depois de 8 anos de férias consecutivas no Rio, Marco acaba comprando uma bela casa em Santa Teresa e se apaixona por uma mulher deslumbrante chamada Joana.

Após 2 anos de intenso romance Joana descobre acidentalmente que Marco Neri é um ladrão de quadros e o abandona sem perdão.

Deprimido, desesperado e movido por um insano sentimento de vingança Marco elabora um plano para roubar o Museu da Chacará do Céu durante o Carnaval de 2006. Com a ajuda de um grupo de bandidos oriundos de diferentes facções do crime organizado da cidade Marco realiza o assalto a 4 obras de Picasso, Matisse, Monet e Dali avaliadas em 50 milhões de dólares. No dia seguinte ao roubo o crime ganha contornos inesperados quando os bandidos contratados descobrem que realizaram o maior roubo a obras de arte da história do país e brigam internamente até a morte.

No terceiro dia de investigações a policia invade a favela do Morro dos Prazeres e encontra restos de molduras queimadas. Marco embarca de volta para a europa com as pinturas originais enroladas embaixo do braço.

Raul Mourão, agosto de 2008


Fred Coelho escreveu lá no obrigatório blog dele sobre o ATUAL…
(E o editor Sergio Cohn me disse que o segundo número será lançado lá pelo dia 20 e tal. Segundo Sergio, o número 2 ficou melhor ainda que o primeiro. Vida longa para ATUAL!)

Na segunda-feira passada, dia 18 de maio de 2009, chegou às ruas o primeiro número do tablóide ATUAL. O tablóide ATUAL foi uma idéia de Sérgio Cohn e Heyk Pimenta para a qual eu fui convidado há três meses e aceitei feliz. Fazer um tablóide, circular idéias por aí, publicar algo mais orgânico e imediato que a espera do livro sagrado.

ATUAL tem como meta arremessar idéias alheias e conexas para o mundo, com 5.000 exemplares gratuitos que já estão circulando de mão em mão pelo rio d’janira, por Sampa, por Brasília, Florianópolis e onde mais ele puder chegar. Por ser de graça, por ser papel-jornal, por ser um pensamento das ruas para as ruas, a missão do tablóide é AGITAR O MUNDO DAS IDÉIAS E DAS PRÁTICAS.

Os artigos, colunas, críticas, desabafos, manifestos, entrevistas, inéditos literários e imagens que suas 36 páginas trazem ao leitor é a tentativa de expandir canais de comunicação, incorporar ao debate novos temas e novas vozes, RENOVAR O TECIDO CRÍTICO sem pretensões e sem pregações. Papo reto, a vida como ela é, uma preocupação com o NOVO como motor do pensamento porque estamos vivendo agora a transição dramática de linguagens, direitos, papéis culturais, formas de sociabilidade, violências e afetos eletrônicos, um período em que é imperativo estar ligado ao mundo ATUAL.

O esforço de compreender e embaralhar o que está acontencendo agora, ao nosso redor.

ATUAL: seguir uma tradição revolt-estratégica de revistas literárias-políticas-humorísticas-comportamentais, a tradição de DESPEJAR DADOS VITAIS e imprimir letras, frases, sentenças, erros e acertos da linguagem. Daniela Labra, Francisco Bosco, Ronaldo Bressane, Felipe Scovino, Mariana Patrício, Pedro Kosovski, Guilherme Wisnik, Patricia Gouvêa, Daniel Caetano, Felipe Bragança, Pedro Cesarino, Danilo Monteiro, Renato Martins, Maurício Barros de Castro e muitos outros estão lá, dando sua opinião, comprometendo seus textos, ampliando possibilidades e perspectivas.

ATUAL: porque a oportunidade aparece, as pessoas se encontram, os textos são feitos, definem-se rumos de ação e aí está o tablóide. Em breve, nas mãos de alguém perto de você.

Faça você mesmo sua música online. Vejam que beleza de programação e interface. Hobnox é mais uma dica do meu idolo, guru e mentor, Marcelo Pereira. Mesmo quem não manja nada de música pode experimentar, realmente impressionante.

Peguei essa matéria do Bruno Galo lá no blog novo do caderno Link do Estadão.

Depois de uma bem sucedida passagem por São Paulo, a exposição interativa Rebobine, Por Favor criada pelo criativo diretor francês Michel Gondry se prepara para aterrissar no Rio de Janeiro, a partir da terça-feira, 9.

Na comédia homônima dirigida por Gondry e que já está disponível em DVD, Jack Black e Mos Def vivem uma dupla que, após apagar acidentalmente as fitas VHS da locadora em que um deles trabalha, passa a recriar os filmes destruídos (como Robocop e Os Caça-Fantasmas) em versões toscas ou “suecadas” (sweded, em inglês), como eles chamam no filme.

Mesmo antes do lançamento, Gondry explorou, com grande sucesso, a “suecagem” na campanha de marketing do longa. A brincadeira virou até mania no YouTube. É possível encontrar versões de fãs para Kill Bill, O Senhor dos Anéis, Forrest Gump, entre muitos outros.

A idéia do “faça você mesmo” está na essência da exposição, que fica no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, até 9 de agosto. Lá visitantes previamente inscritos no site do evento recebem orientação para criar os seus próprios curtas em cenários reais do filme. Como no longa, o resultado fica disponível para “locação”, em uma loja cenográfica que faz parte dos cenários. Confira! Eu fui e recomendo.